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Alex Turner do Arctic Monkeys fala sobre seu novo álbum e sobre retornar ao Spotlight

Os primeiros – e últimos – rockstars da era da Internet estão de volta com um novo álbum. O líder do Arctic Monkeys Alex Turner conversa com Krissi Murison em entrevista exclusiva.

 

 

Alex Turner – líder do Arctic Monkeys – abre a porta e me oferece um chá. Ele está vestindo camisa e calça jeans e uma jaqueta militar com seu sobrenome bordado. O cabelo que antes era um topete com gel Brylcreems agora está escorrido em volta de um cavanhaque curiosamente horroroso. Pode ser que esse seja o look desleixado de alguém que está de férias. Seria compreensível – já faz cinco anos desde que a banda lançou seu último álbum, e quase quatro desde que o cabelo e o queixo foram requisitados nos palcos. Mas não, eu me enganei, o cavanhaque ainda estava lá algumas semanas depois, nas melancólicas fotos promocionais que vieram acompanhadas com alguns detalhes do seu – tão esperado – retorno. Deve ser moda em LA.

Turner, com 32 anos, mora em Los Angeles desde 2012, entretanto ele ainda possui esta casa no Leste de Londres, onde estou agora. É um bonito, porém modesto, sobrado Vitoriano no campo que ele comprou há uma década, durante os primeiros raios de sucesso dos Arctic Monkeys. O interior fala de obsessões audiovisuais refinadas e de bom gosto retrô: guitarras e gravadores de fita vintage, filmes de new wave franceses e romances de ficção científica distópicos. O banheiro é um flashback groovy de paredes amarelo-limão e azulejos pretos, com uma cópia de “Pocket Bowie Wisdom¹” no lado da banheira. Preciso usar o banheiro? Porque se não a namorada e modelo americana, Taylor Bagley, gostaria de tomar um banho. Não preciso. “Sinal verde”, ele avisa para ela no quarto.

De volta à cozinha, a rádio Magic FM explode dissonante e ele perambula sobre o chá.

 

Eu só preciso… eu usei o restinho no meu cereal essa manhã,” ele começa em seu lento sotaque sulista de Yorkshire, a primeira de muitas frases que não são realmente frases, mas sim, vagas abstrações apontando para um significado. Essa em questão, falando que o leite acabou.

 

Apesar dos meus protestos, ele veste o casaco e sai, voltando minutos depois com as compras. O anfitrião perfeito. Quem dera ao menos se o mesmo pudesse ser dito para sua habilidade em entrevistas.

Conversar com Turner é sempre uma frustração. Para um cara que é considerado um dos melhores compositores de sua geração, ele é surpreendentemente inútil em comunicação verbal. Durante as próximas duas horas, a sala se transformará num laboratório sonoro, cheio de “humms”, “errrrs” pontuados com silêncios constrangedores. Mesmo uma simples pergunta sobre o que ele gosta de assistir na televisão leva a desesperadores cinco minutos de um “começa-e-para”, passando por algumas “não-respostas”, em que eu finalmente consigo saber o que ele viu por último no Netflix (“Poderia ter sido um especial de Dave Chappelle ou algo assim”).

Em partes, acredito que seja de propósito. Turner ficou famoso muito cedo e aprendeu da pior maneira que cada frase é uma manchete em potencial para ecoar pelo mundo. Eu o entrevistei pela primeira vez quando ele era um desconhecido de 19 anos, e ele já era assim. Talvez ele simplesmente não seja bom como celebridade. Sua alegria é o seu bloco de notas, onde ele é livre para aperfeiçoar e rever as palavras infinitamente, algo que não é possível no sofá do The Graham Norton Show.

Ele está atualmente em Londres terminando a arte para o novo álbum do Arctic Monkeys, o Tranquility Base Hotel & Casino – um lugar imaginário na base do pouso na Lua de 1969, em um espaço privilegiado no qual Turner pode observar o mundo. É também o álbum que segue o AM, quinto disco da banda, que os tornou tão grandes na América quanto a estreia do Indie-Rock de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, os fez aqui em 2006. O AM foi disco de platina nos Estados Unidos, mas o novo álbum é estranho demais para alcançar esse patamar. Escrito em um piano, tem uma sensação Noir de música lounge, com Turner associando livremente a política americana à dependência tecnológica e uma cultura impulsionada pela gentrificação, boa TV e likes nas mídias sociais. Quando foi lançado na semana passada, a reação foi distintamente misturada, mas liricamente é seu trabalho mais impressionante. Ele começou a escrever alguns dias depois da morte de Leonard Cohen e da eleição nos Estados Unidos, ambos eventos marcantes. “[Antes] Eu não queria colocar nada de política nas músicas porque eu não sabia como misturar os dois. Essas músicas não são necessariamente “músicas de protesto”, mas eu me sinto mais confiante em me expressar nesse assunto.”

Quando entrevistei Turner há sete anos, logo após as revoltas de 2011, ele se recusou a ser atraído para qualquer análise do estado da nação. (“Não sou eu, querida”, ele brincou, uma referência irônica à voz de uma geração dos anos 60, Bob Dylan.)

Ele não estava sozinho em seu silêncio. Há sete anos, era quase impossível encontrar jovens estrelas do pop corajosos o suficiente para oferecer uma opinião sobre as questões polêmicas do dia. Agora, na era do ativismo em que vivemos, as celebridades estão fazendo fila para gritarem seus valores. O que os empoderou?

 

Talvez eles se sintam obrigados a agir diferente por causa do rumo que as coisas estão tomando,” ele diz. Eu lembro de sentir que eu não tinha propriedade o suficiente para discutir sobre esses assuntos, o que não é necessariamente ruim. Esses temas são complexos. Mas a coisa pode escalonar pro outro lado, onde as pessoas se sentem obrigadas a falar sobre um tema, sem ter refletido de verdade sobre ele. E há uma pressão agora para você pensar sobre as coisas, o que também não é ruim.”

 

Não que eu consiga tirar alguma grande reflexão dele sobre política. O mais perto que chegamos foi uma discussão sobre Trump ter decidido usar  “You Can’t Always Get What You Want” dos Rolling Stones como música tema em seus comícios e sobre como os artistas não têm poder de veto quando suas músicas são usadas para fins políticos.

 

Não têm?” Ele pergunta incrédulo. “Tipo sua música sendo usada no EastEnders², é isso?” ele ri, se referindo ao acordo de licença geral de músicas da BBC³. “Qual música dos Monkeys Trump usaria em suas campanhas?” ele se questiona em voz alta. Ele escolhe Fluorescent Adolescent e começa a brincar com as notas iniciais do seu hit de 2007 sobre um relacionamento de longa data que perdeu o tempero. (Letra: “Você costumava conseguir em suas meias arrastão / Agora você só consegue com seus vestidos de festa / Descartou todas as noites sujas por gentileza / Caiu uma crise muito comum”) “Imagine só ele se arrastando com essa música!” ele gargalha.

 

Quando os Arctic Monkeys se tornaram extremamente populares no meio dos anos 2000, era impossível falar sobre eles sem mencionar duas coisas: Primeira, eles foram uma das primeiras bandas a conquistar uma audiência completamente por causa da internet. Indo contra o senso comum de que músicas não deveriam ser distribuídas de graça, eles postaram todas as suas demos caseiras e apresentações ao vivo online. A notícia se espalhou rápido. Eu me lembro de ter entrado sorrateiramente pela porta dos fundos de um dos primeiros shows lotados da banda em Londres em 2005 enquanto Turner era carregado pra lá e pra cá num mar de mãos, a multidão gritando cada palavra de cada música – e a banda ainda nem tinha assinado um contrato de gravação. Foi um fenômeno.

O segundo debate gira em torno das letras de Turner – belas observações sociais com um tanto de filosofia de boteco escritas com muita sagacidade. Ainda na adolescência e não muito coerente como pessoa, Turner foi perseguido por boatos de que alguém mais velho e mais erudito o teria ajudado. Mas o misterioso “empresário” nunca existiu.

O baterista do Arctic Monkeys, Matt Helders, conhece Turner desde os cinco anos de idade quando eles estudavam juntos na escola High Green, na periferia de Sheffield. “Bem cedo eu já percebi que ele tinha essa coisa com as palavras,” ele relembra pelo telefone. Ele está em Los Angeles e mora a menos de 2 km de Turner. “Bem no início, quando começamos a tocar, ele não ia necessariamente ser o cantor, nós não tínhamos decidido ainda. Acho que ele ficou bem apreensivo com isso, mas ele sempre foi bem nas aulas de Inglês, então não parecia ser um grande salto.”

Filho de dois professores, Turner relembra que mantinha o caderno de anotações em segredo, para que os colegas não descobrissem seu hobby careta. “Eu era um tanto quanto tímido, eu acho. E eu definitivamente não queria que as pessoas soubessem que eu estava escrevendo.” A primeira vez que ele mostrou as anotações para alguém, foi para sua namorada da época. Ele sentou do outro lado do quarto “suando em bicas” enquanto ela lia.

 

Eu consigo entender [esse receio que ele tinha] por conta do lugar em que nascemos e da escola que frequentamos,” diz Helders. “Você não é encorajado a seguir um caminho criativo.” Tal como tocar em uma banda, deveria ser apenas um pouco de diversão, nunca uma profissão. “Muitos dos nossos amigos, por exemplo, começaram a trabalhar e foram crescendo dentro do ramo do primeiro emprego que tiveram. E eu provavelmente me imaginava seguindo o mesmo caminho.”

 

Depois do frenesi inicial, os Arctic Monkeys foram para o mainstream. No final de 2005 o single de lançamento, I Bet You Look Good on the Dancefloor, atingiu o primeiro lugar. No ano seguinte, seu primeiro álbum se tornou o disco de lançamento mais vendido na semana de estreia, [na época foi o maior Fastest-Selling album de todos os tempos na Grã Bretanha] e eles ficaram tão famosos que até mesmo Gordon Brown [Ex Primeiro Ministro Britânico] sentiu que deveria se declarar como fã – embora na pergunta seguinte ele não tenha conseguido nomear uma única música da banda. O incidente assombrou Brown durante o resto de sua carreira política (chegou a aparecer em sua biografia, lançada no ano passado), embora, para Turner naqueles primeiros anos turbulentos, não valesse nem uma nota de rodapé. “Eu acho que isso passou batido pra mim. É o tipo de coisa que eu imagino meu avô me contando”, diz ele.

De volta para a casa de Turner, sua namorada Taylor aparece brevemente, de banho tomado. Ela tem uma beleza feroz, extraterrestre: alta, magra e esguia, com o cabelo tingido de um tangerina luminoso, piercing no nariz, calça de couro preta e extraordinários olhos azuis. Só Deus sabe como Turner consegue trabalhar.

Ela brinca com meu bebê de três meses, que acabou de acordar com fome, mais de uma vez menciona algo sobre crises de humor e sai para almoçar.

Caramba, ela é linda, eu gaguejo como uma idiota quando ela sai.

Concordo,” ele sorri. “Não tem como argumentar sobre isso.”

Antes de chegar, eu caí no boato de que Turner tinha voltado com Alexa Chung, a queridinha da moda Britânica que ele namorou entre 2007 e 2011 – seu romance ainda ocupa um lugar especial no coração de vários fãs do Indie Rock da época (eles eram uma versão aspiracional esfarrapada de Posh’n’Becks [ship de Victoria e David Beckham]). No fim do ano passado, colunas de fofocas informaram que Alex e Alexa tinham sido vistos abraçados em uma festa de fogos de artifícios. Fake news! Era a festa de aniversário dela, ele apareceu por lá, eles foram vistos conversando. Sem fogos de artifícios, metafóricos ou não.

Ele e Taylor, ele explica, estão juntos há aproximadamente três anos e se conheceram através de amigos em comum em LA. Agora eles moram juntos.

Será que ele sossegou de vez?

Ele ri. “Como que eu vou responder isso? Sim,” ele decide. “Mmmm.”

Assim como Chung, Bagley ficou conhecida por postar várias fotos incrivelmente atraentes de si mesma no Instagram. Lá está ela posando com seu cachorro, posando nua no banho… mas nunca, pelo que eu vi, posando com Turner. Será que ele prefere não aparecer?

 

Não me lembro de ter feito esse pedido, mas não me importo de não estar lá.”

 

Mas é ele que tira todas essas fotos dela? Eu sempre imagino que por trás de toda perfeição das Insta-girls tem um  namorado entediado, acorrentado no aplicativo de filtros do iPhone.

 

Não, eu não sou do tipo fotógrafo.”

 

Ao lado do Arctic Monkeys, Turner tem um projeto paralelo de longa duração chamado The Last Shadow Puppets com seu melhor amigo, o cantor e compositor de Birkenhead, Miles Kane. Durante a promoção de seu último álbum, os dois foram entrevistados por uma jornalista da revista online Spin. Turner estava, como sempre, com seu modo desconfortável-nas-entrevistas ativado, então Kane tentou quebrar o gelo com algumas brincadeiras inapropriadas. Isso incluiu convidar a jornalista para seu quarto de hotel quando ela perguntou o que ele faria depois da entrevista, o que, em retrospecto, foi muito estúpido (ele percebeu isso no dia seguinte e enviou um e-mail pedindo desculpas). O resultado, no entanto, foi um longo artigo de opinião clamando a falta de profissionalismo de Kane e a misoginia da indústria da música em geral. Pessoalmente, eu achei algumas das outras queixas contra ele um pouco banais – mantendo contato visual por muito tempo, dando um high five na jornalista, “puxando-a” para “um beijo não totalmente consensual na bochecha” quando ela estava se despedindo, e não menos importante, a ideia de que entrevistar um astro do rock deveria ser supostamente um exercício de profissionalismo.

O que Turner achou disso tudo?

 

Ele suspira. “Acho que ele fez uma piada que não deveria ter feito e depois se tocou que interpretou mal a situação.”

 

Eu conto pra ele que achei a reação meio exagerada.

 

Sim, honestamente não tenho certeza se toda essa reação foi merecida, mas você simplesmente não pode fazer piadas desse tipo.”

 

Não mais. Eu tento fazer ele falar sobre o movimento #MeToo. Sem dúvida houve uma época antes de Turner se estabilizar romanticamente, em que ele pode aproveitar as dádivas de ser jovem, bem-sucedido, um baita bom partido solteiro durante as turnês. Mas a atmosfera atual significa que homens nos olhos do público como ele, se sentem vulneráveis a ponto de qualquer encontro poder voltar para assombrá-los?

 

Bom, eu não sei, acho que depende de como você se comporta.”

 

Bem, sim. E…?

 

Se eu me preocupo sobre como me comportei no passado?” Vinte segundos agonizantes de silêncio se passam enquanto Turner analisa mentalmente cada “chega-junto” alcoolizado que ele possa ter dado e cada mancada que possa ter acontecido no backstage durante sua carreira. “Não”, é sua decisão final.

 

Já que estamos no assunto de responsabilidade pessoal, então… Há alguns anos, os Arctic Monkeys tiveram seus nomes divulgados e passaram vergonha por terem investido no Liberty, o esquema de evasão de impostos de 1,2 bilhão de libras esterlinas, junto com outras celebridades incluindo Gary Barlow, George Michael, Michael Caine e Ant and Dec. Os quatro membros atuais foram acusados de pagarem taxas entre £ 38.000 e £ 84.000 para proteger valores que variam de £ 557.000 a £ 1.1m entre 2005 e 2009.

 

Nós fomos mal-aconselhados e tomamos uma decisão ruim,” ele diz agora. “Mas eu sempre pago meus impostos completos e na data certa,” ele adiciona, ecoando a declaração que banda deu na época.

 

Mas o esquema permitiu que ele pagasse menos impostos, eu sugiro. Será que ele entende por que as pessoas ficaram de cara com isso?

 

Com certeza, sim. No entanto, nós não pagamos menos.”

 

Por que você estava no esquema, então?

 

Porque havia a possibilidade de pagar menos, esse é um ponto importante”

 

Então você saiu antes disso, quando percebeu que não era a coisa certa a fazer?

 

Umm-humm.”

 

Independente de quanto ele pagou de impostos, Turner ainda vale milhões. No que ele gasta seu dinheiro? Há uma pausa tão longa que acho que as baterias dele podem ter acabado. Ele não tem uma moto? Eu decido ajudar na resposta.

 

“Sim! Mas é só uma moto, não é como se eu fosse Jay Leno [comediante Americano, que tem uma vasta coleção de motos.] Nós todos aprendemos a pilotar juntos. Nós vamos ensaiar no mês que vem, então talvez a gente vá de moto pros ensaios,” ele diz.

 

Atualmente eles estão espalhados pelo mundo: Turner e Helders em LA, o guitarrista Jamie Cook no leste de Londres e o baixista Nick O’Malley em Sheffield. Todos eles têm filhos, menos o Turner. Ele se sente pressionado?

 

Não, ainda não.”

 

Helders, que tem uma filha de dois anos de idade, com a esposa Breana McDow – modelo e atriz que ele conheceu no set de um videoclipe dos Arctic Monkeys – está sendo aconselhado pelos amigos rockstars que também filhos, como Josh Homme do Queens of the Stone Age, sobre como lidar com turnês e família. “Existem dois jeitos: ou você leva todo mundo com você ou volta pra casa com mais frequência – duas semanas de trabalho, duas semanas de folga, ou algo assim.”

Qual opção eles vão adotar? “Provavelmente a última. Minha esposa também trabalha, então ela não pode simplesmente largar tudo pra acompanhar a nossa turnê. Ela tem as coisas dela.” O fato de que a carreira dela tem o mesmo peso que a dele me faz querer dar um soquinho no ar de alegria.

 

Sou um cara moderno,” ele continua. “Nenhum de nós tem família por perto, então não é tão fácil como era na nossa infância, quando minha mãe ia trabalhar e me deixava na casa de algum parente. Então nós aproveitamos esse tempo que eu não estava fazendo turnês para ela trabalhar mais, enquanto eu fico em casa. Eu tenho sido bem participativo.”

 

Helders diz que gosta da Califórnia por causa do clima e porque “eu posso pilotar minha moto sem obstáculos”. Para Turner, é o “anonimato” que LA proporciona – “Sou menos reconhecido, eu suponho” – mas ele não sabe se morar lá “vai ser pra sempre”.

O que ele mais sente falta quando pensa em casa? “Newsnight” [Programa de notícias da BBC.]

Turner votou em “Permanecer” no referendo do Brexit. Sheffield, sua cidade natal, votou em “Sair”. Ele tem uma boa relação com amigos em Sheffield que optaram por sair?

 

Assim, você está presumindo que eu tenho amigos que votaram para sair. E eu acho que eu não tenho.”

 

O Arctic Monkeys surgiu já faz 12 anos e não houve outra banda de rock Britânico que tenha sido tão boa ou tão bem-sucedida quanto eles. Eles não foram apenas a primeira grande banda da era da Internet, também foram os últimos. Por que ninguém mais apareceu para ressonar da mesma maneira?

 

“Eu não sei o que está faltando nesse estilo de música que nós fazemos. Nós tivemos sorte na época, tivemos a última oportunidade antes dos downloads e do streaming revolucionarem o meio” diz Helders. “Eu não sei se isso de alguma forma arruinou a música. Parece que agora é mais difícil se destacar justamente porque a quantidade de músicas aumentou. E cabe ao indivíduo divulgar, não é mais necessário esperar por um contrato com uma gravadora, ou por alguma rádio que toque sua música, o que é ótimo para o artista, mas também significa que a competitividade aumentou, e muito.”

 

É claro, não é como se não houvessem novos artistas fazendo um baita sucesso nos dias de hoje, mas eles são predominantemente artistas solo – Adele, Taylor Swift, Ed Sheeran. O que aconteceu com a mentalidade de grupos como os Beatles, The Clash e Oasis? Por que os adolescentes não sonham mais em ter uma banda?

 

“Talvez seja muito fácil fazer música, talvez eles pensem que são bons o suficiente para fazer sozinhos, sem precisar de uma banda. Talvez se fosse assim há 10 anos, eu também pensaria, f***- se vou fazer isso sozinho,” Helders ri. “Nãão, eu definitivamente não teria pensado assim. A música agora pode ser feita num estúdio e você sozinho, num computador e você sozinho, no seu quarto. Tem um monte de gente talentosa que toca sozinho todos os instrumentos do seu álbum, e fica incrível.”

 

Pessoas talentosas como Turner, que escreve todas as músicas e poderia facilmente seguir solo. O que o mantém no Arctic Monkeys quando bandas são tão pesadas, caras pra levar em turnê e tão fora de moda?

 

Pela primeira vez ele encontra as palavras de imediato. “Eu gosto da companhia deles. Então, por exemplo, nesse projeto eu estava completamente inseguro sobre o que eu estava fazendo, com medo de estar perdido no meio daquilo tudo. Então Jamie veio para LA e nós trabalhamos em algumas coisas juntos, ele me encorajou e de repente eu me senti completamente diferente. Ele ficando empolgado agora, do mesmo jeito que ficava com as ideias que surgiam no quarto dele quando tínhamos 16 anos e ele ainda morava com a mãe… eu ainda sinto a mesma vibe com as reações dele.”

 

Eu só gostaria que ele tivesse ficado menos empolgado com o cavanhaque.

 

¹ – Livro com frases inspiradoras de David Bowie

² – EastEnders é uma novela da BBC

³ – A BBC tem um acordo de licença geral com o PRS for Music, que permite que qualquer música / música registrada seja usada em programas da BBC Television sem que licenças individuais sejam obtidas. Se a BBC tiver financiado mais de 10% do orçamento de produção, a produção poderá fazer uso do contrato geral da BBC para o PRS for Music e não precisará pagar individualmente por músicas / músicas que façam parte do repertório do PRS.

 

Fonte : The Times

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