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Por que os Arctic Monkeys jamais irão superar ‘Suck It and See’?

A recente notícia de que Alex Turner e Miles Kane estão ressucitando The Last Shadow Puppets fez-me rir de satisfação. The Age of the Understatement, de 2008, fora uma dissertação retro-pop tingida de sépia que apresentava uma nova geração de rebeldes esotéricos, como Scott Walker. Foi um delicioso namorico longe do trabalho diário de Turner com os Arctic Monkeys e que encorajara a avaliar sua produção anterior. Após reflexão, Suck it and See, uma continuação de saída radical do indie formulado de seus anos iniciais, é inequivocadamente seu álbum mais completo.

Os Alice in Chains são bizarramente eliciados na harmonia carregada de ‘Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair’. As sombras de Nirvana e Queens of the Stone Age se avultam sobre a frenética ‘Library Pictures’, na qual Matt Helders esmurra a bateria com senso e sensibilidade. Fãs da aridez, jaqueta de couro e rock untuoso de Humbug de 2009 foram saciados, além de uma gotícula de algo The House of Love em ‘Black Treacle’ e na delirante entitulada ‘The Hellcat Spangled Shalalala’, surpreendeu a muitos com suas inesperadas iridescências. Melodiosas e angulares, acessíveis e inteligentes, elas são a apoteose da habilidade de Turner em combinar ritmos obtusos com pop clássico.

Suck it and See isolou aqueles que ansiavam por ‘A Certain Romance’ parte vinte e sete, porém recrutou novos admiradores impressionados pela direção diferente. Adotou a musculatura tangente de Humbug, levando os fãs numa nova jornada e aumentando a reputação da banda como imprevisíveis metamorfos. Então porque o quarto álbum é a sua maior declaração artística? A variedade de sabores musicais fora aparentemente feita na sutil artwork que desafiava fãs antigos e recentes a provarem um som sem precedentes. O regojizo do disco está localizado principalmente nas ‘arranhadas’ do guitarrista Jamie Cook, C-86² e as corpulentas basslines de Nick O’Malley. Em ‘Reckless Serenade’, a banda perfeiciona a receita, criando um indie-pop açucarado sem ser dominantemente piegas.

As três últimas faixas fundem uma calorosa melancolia através dos vocais pesarosos de Turner com melodias edificantes, como se eles atualizassem despreocupada e melodicamente o modelo The Beach Boys. ‘Love is a Laserquest’ é um lamento crepuscular perfurado pela luz lunar, Turner repreendendo uma ex por suas tendências manipulativas; a faixa-título é um festival de luz e amargues do encontro de Beach Boys e Ride; ‘That’s Where You’re Wrong’ transcende tempo e espaço quanto a amor, perda, otimismo e dor numa mistura de união espiritual. Do início ao fim, a banda soa em absoluto à vontade com sua nova identidade e recompensa os ouvintes com uma confeitaria tentadora de misturas de scuzz-rock³ e jangle-pop [linha de doces].


Os Arctic Monkeys tem uma abundância de canções maravilhosas para escolher quando compõem sua setlist, porém frustrantemente os constituintes de Suck it and See nunca figuram de forma proeminente. Eu sei que preferiria muito ouvir o brilho e ribombo de ‘That’s Where You’re Wrong’ que a atroz ‘Fluorescent Adolescent’, mas a banda parece devota a promover AM, de 2013, que os triunfou à ampla aclamação crítica. Uma apresentação composta das faixas de Suck it and See mostraria que estas são melodiosamente superiores a seus outros esforços esterlinos(4). Têm a euforia que AM carece, a sujeira refinada de Humbug tão pareamente cumprida e o intelecto musical realizado a qual o debut deles não estava interessado. Suck It and See muito facilmente é um dos melhores álbuns dos últimos quinze anos e um álbum a qual os Arctic Monkeys jamais superarão.

 

Notas
1 Bassline é um gênero de música eletrônica proveniente do Reino Unido, origem em Sheffield por volta do ano 2002, derivado da cena UK Garage local. Compartilha as mesmas características de outros gêneros da mesma origem como Dubstep e Grime, porém, se diferencia pela valorização da linha de baixo.
2 C-86 é uma compilação de músicas de novas bandas indies (sem gravadora), lançada pela revista NME em 1986.
3 Scuzz-rock é uma referência ao canal de TV paga ‘Scuzz’, o qual é um canal musical essencialmente de rock.
4 Refere-se a libra esterlina. Neste caso, refere-se aos singles não contidos no álbum Suck it and See, os que venderam mais e geraram mais renda, então chamados esterlinos. Libra esterlinas é moeda oficial do Reino Unido.


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